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Alunas de Arquitetura do Vianna fazem intervenção urbana em JF

“Nossa premissa era de que o trânsito lento afeta negativamente as pessoas. Nós, através de uma intervenção urbana, deveríamos afetá-las positivamente”, afirma professor Henrique Kopke. (Foto: Yago Fernandes)

 

Quem passa pela Avenida dos Andradas na hora do rush pode deparar-se com uma cena inusitada: um professor, acompanhado por alunas, lavando lixeiras. A ação faz parte de um projeto de iniciação científica do curso de Arquitetura e Urbanismo das Faculdades Integradas Vianna Júnior. O grupo pretende investigar de que forma as cidades afetam os seres humanos que nela habitam.

Mas por que a intervenção nas lixeiras? O professor Henrique Kopke, orientador da pesquisa, explica: “Alvos de muita depredação, as latas de lixo possuem péssima conservação e limpeza. Decidimos, portanto, que a intervenção seria limpar as latas de lixo em silêncio, como se estivéssemos em uma cerimônia. Nossa premissa era de que o trânsito lento afeta negativamente as pessoas. Nós, através de uma intervenção urbana, deveríamos afetá-las positivamente”.

Alunas e professor esperam pelo momento mais movimentado do dia e, de forma quase ritualística, dão início à atividade. Primeiro, o professor veste o jaleco branco e as luvas. No chão, posiciona uma flanela e sobre ela deposita os materiais: esponja, água e sabão. Em instantes e em silêncio, começa a ensaboar a lixeira laranja. As alunas, além de fazerem registros de vídeo e responderem as dúvidas dos transeuntes curiosos, colam cartazes nos postes com os dizeres “sorria para a próxima pessoa que cruzar”. Seja no ponto de ônibus, dentro dos carros ou caminhando pela calçada, todos os olhares voltam-se para eles.

Em 20 minutos, a limpeza chega ao fim e um adesivo é colado na lixeira. Nele, lê-se a frase “Há quem se lixe a quem se poesie”. Na norma culta da língua, a palavra “poesie” não existe, é um neologismo. “A frase é polissêmica no momento em que permite a leitura de que existem pessoas que não se importam com quem gosta de viver a arte, mas também no questionamento da forma como está escrita. Ao questionar a grafia, o mero expectador torna-se crítico. Assim, a intervenção acontece muito mais na cabeça de cada um do que no acontecimento em si”, finaliza o professor.

Como parte da pesquisa, as alunas estudaram a história da Avenida dos Andradas. “Elas pesquisaram a história da via, desde o século XIX, passando por estudos de fluxo, áreas potencialmente econômicas e índice de criminalidade”, explica o professor Henrique Kopke. De acordo com Kamilla Teixeira, aluna envolvida no projeto, um fato histórico se destacou: “O nome antigo da avenida era ‘Rua da Gratidão’, caminho para a ‘Vila da Gratidão’, atual bairro Morro da Glória, por onde os bondinhos ainda circulavam pela cidade”, conta.

O grupo de pesquisa é formado pelo professor e orientador Henrique Kopke e pelas alunas Kamilla Teixeira, Lis Andrade, Paula Lacerda e Sabrine Pestana. Novas intervenções estão programadas para acontecer em dezembro. A pesquisa está em fase de conclusão e o artigo final está sendo tecido. O material, que também inclui registros em vídeo e foto, será exposto em 2019.